Pular refeições engorda em vez de emagrecer, mostra estudo

Por Juliana Vines

Pular uma refeição pode até diminuir o número de calorias ingeridas, mas no fim das contas é um péssimo negócio, segundo estudo divulgado nesta semana pela Universidade do Estado de Ohio (EUA).

De acordo com os pesquisadores, ficar em jejum por várias horas “dá um tilt” no metabolismo, o que leva a um aumento da gordura abdominal –a mais nociva para o coração.

O estudo, que será publicado na próxima edição do “Journal of Nutritional Biochemistry”, foi feito com ratos. Os animais foram divididos em dois grupos: o primeiro se alimentou normalmente durante todo o experimento, o segundo fez uma dieta superrestrita durante três dias. Depois, do quarto ao sexto dia, eles ganharam mais comida gradativamente até igualar as dietas.

Apesar de as quantidades serem iguais, porém, a distribuição das refeições continuou diferente. Os que fizeram regime ficaram mais glutões: comiam tudo o que tinham direito em quatro horas e passavam o resto do dia sem comer, em jejum.

Se o metabolismo fosse uma ciência exata baseada na soma e subtração de calorias, a médio prazo os dois grupos deveriam ter o mesmo resultado com a dieta porque estavam comendo a mesma coisa, certo? Errado. Aqueles que fizeram jejum desenvolveram resistência à insulina, condição em que o corpo passa a exigir níveis mais altos do hormônio para que o açúcar seja metabolizado.

Segundo os pesquisadores, isso aconteceu porque o jejum e a comilança fizeram com que os níveis de açúcar no sangue subissem e caíssem rapidamente. Além de sinalizar risco de diabetes, a resistência à insulina é associada com ganho de gordura abominal.

“Os ratos dos dois grupos ficaram com o mesmo peso, mas aqueles que fizeram jejum tiveram depósitos de gordura maiores. Com mais açúcar circulando no sangue, as células adiposas têm mais facilidade para armazenar a glicose em forma de gordura”, disse à Universidade do Estado de Ohio Martha Belury, professora de nutrição humana e coordenadora do trabalho.

“Isso dá suporte à ideia de que pequenas refeições ao longo do dia é útil para a perda de peso”, acrescentou. Ela admite que comer várias vezes pode “não ser prático para muitas pessoas”, mas compensa, porque além de manter os níveis de insulina mais estáveis ajuda a controlar a fome e não exagerar no almoço ou no jantar.