Cientistas criam molécula que simula efeito de exercício físico

Por Juliana Vines

Em vez de se exercitar, tome uma pílula e tenha os mesmos resultados. Parece sonho de sedentário, mas pode se tornar realidade segundo cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Eles desenvolveram uma molécula que simula o efeito do exercício físico no metabolismo.

Denominada “composto 14”, a molécula inibe a função de uma enzima celular chamada ATIC (sigla em inglês), envolvida no metabolismo energético. A inibição faz com que as células “pensem” que ficaram sem energia, ativem um sensor central, e aumentem a captação de glicose do sangue para recarregar as baterias.

Em ratos obesos, os resultados foram promissores: redução nos níveis de glicose em jejum, mais tolerância à glicose –dois indicadores relacionados com diabetes –e, ao mesmo tempo, perda de peso.

Mais uma pesquisa em ratos gordos? Sim, mas é um achado promissor, de acordo com Ali Tavassoli, coordenador do grupo de estudos que desenvolveu o composto.

“A molécula alterou o metabolismo celular e pode ser considerada um potencial agente terapêutico. Estudos anteriores mostram que a ativação do ‘sensor central de energia’ da célula poderia ajudar no tratamento de várias doenças, incluindo diabetes tipo 2 e obesidade, porque mimetiza o efeito do exercício físico, aumentando a absorção e utilização de glicose e oxigênio”, disse o pesquisador.

Para o estudo, publicado na revista “Chemistry and Biology”, dois grupos de ratos foram alimentados com dietas diferentes. O primeiro grupo seguiu um regime equilibrado; o segundo, ingeriu elevados teores de gordura. Os animais que fizeram dieta de engorda ficaram obesos e reduziram a tolerância à glicose.

Quando os ratos gordos tomaram o composto 14, os níveis de glicose reduziram e, depois de sete dias, eles tinham perdido 5% do peso corporal (em média, 1,5 g). Para os animais que seguiram a dieta equilibrada, o composto não surtiu efeito.

Segundo os pesquisadores, o próximo passo é examinar os resultados do tratamento a longo prazo e descobrir o modo de ação da molécula. Se for comprovada a segurança do composto, a “pílula do exercício” poderia ser desenvolvida. Cruzem os dedos.