Nova Coca-Cola verde ainda tem muito açúcar, segundo nutricionistas

Por Juliana Vines

No início do mês, a Coca-Cola lançou no Brasil uma versão mista do refrigerante, adoçada com estévia, edulcorante de origem natural, e açúcar –50% menos do que a versão tradicional.

Na prática, quer dizer que, em vez de ter 21 gramas de açúcar por copo, a Coca-Coca Life (ou “Coca verde”) tem dez gramas –ou duas colheres de chá. Em uma lata são 17,5 gramas, três colheres e meia.

“O ideal é que 10% das calorias da dieta venham da ingestão de açúcar. Dependendo do consumo, dez gramas por copo pode representar uma parcela grande disso”, disse Ana Paula Gines Geraldo, nutricionista, professora da Universidade Federal de Santa Catarina.

Ela analisou o rótulo da bebida e viu que, apesar de ter menos açúcar, o produto tem mais aditivos. “Há dois aditivos a mais que a Coca-Cola tradicional. São conservantes e reguladores de acidez. Não dá para falar que é uma bebida saudável.”

A nova Coca-Cola Life, com redução de 50% de açúcar (Foto Divulgação)
A nova Coca-Cola Life, com redução de 50% de açúcar (Foto Divulgação)

A nutricionista do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) Ana Paula Bortoletto concorda. “Continua sendo uma bebida açucarada, que leva ao aumento de peso e ao diabetes”, diz.

Para Bortoletto, o pior é que o produto passa uma ideia de que é saudável. “A cor verde tem esse apelo. O consumidor tende a imaginar que pode beber em maior quantidade, o que não é verdade.”

A embalagem do produto ainda destaca que o açúcar usado vem da cana. “Não sei porque destacam isso, dá na mesma, é açúcar do mesmo jeito”, afirma Bortoletto.

É SÓ O COMEÇO

A Coca-Cola Life é uma das primeiras bebidas mistas do Brasil. Até dezembro do ano passado, refrigerantes e sucos adoçados parte com açúcar e parte com adoçante eram proibidos por uma lei do Ministério da Agricultura.

A legislação mudou e agora a tendência é que surjam novas bebidas desse tipo. O problema, segundo as nutricionistas, é que pode haver uma ingestão descontrolada de adoçante.

“Tanto a estévia quanto os outros adoçantes têm um limite de consumo [previsto pela Anvisa], que deve ser respeitado para garantir a segurança. Quanto mais produtos tiverem adoçante e mais pessoas estiverem consumindo, mais fácil fica de chegarmos a esse limite”, diz Bortoletto.

“Não é um consumo livre. Só porque não tem calorias, muita gente pensa que pode comer à vontade. Não é assim”, complementa Ana Gines.

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OUTRO LADO

Andrea Mota, diretora de estratégia de categorias da Coca-Cola Brasil, disse que a intenção da marca é dar mais opção para o consumidor.

“As próprias nutricionistas falam que é importante controlar a ingestão de açúcar. A Coca-Cola lançar uma bebida com metade do açúcar e adoçante natural não é pouco. É importante o consumidor ter opção, ter variedade. Quem não quer açúcar nenhum pode tomar a Coca-Cola Zero, se você quer metade tem do açúcar agora tem a Life.”

Segundo Mota, o açúcar usado na “Coca verde” é o mesmo usado nos outros produtos. “A ideia, ao divulgar o tipo de açúcar, não foi dizer que é mais saudável que outros. Nossa intenção foi só informar o consumidor.”