Sal rosa do Himalaia tem baixa concentração de minerais e não vale o que custa, diz nutrólogo

Por Juliana Vines

No último ano, o sal rosa do Himalaia invadiu restaurantes, lojas de produtos naturais e prescrições de nutricionistas, que já recomendam trocar o sal refinado pelo gourmet.

Sites de vendedores no Brasil e no exterior alardeiam os benefícios do produto, rico em minerais. Algumas pitadas por dia ajudariam a aumentar a libido, prevenir cãibras, fortalecer os ossos, melhorar a circulação e a qualidade do sono, de acordo com alguns fabricantes.

Sal rosa do Himalaia, que custa cerca de R$ 40 o quilo (Foto: Freeimages.com)
Sal rosa do Himalaia, que custa até R$ 40 o quilo (Foto: Freeimages.com)

O sabor é o mesmo do sal refinado, mas o preço é bem diferente: um quilo de sal rosa custa até R$ 40 em lojas on-line. A mesma quantidade do sal de mesa comum é vendida por, em média, R$ 2.

Será que o investimento vale a pena? Segundo os fabricantes, o sal rosa tem mais de 80 minerais. Não há pesquisas independentes sobre isso, mas alguns laboratórios americanos já fizeram análises (a pedido de fabricantes) e encontraram mais de 90 compostos químicos no sal do Himalaia, entre eles cálcio, ferro, magnésio, zinco e selênio –minerais essenciais.

O livro “Water & Salt, The Essence of Life” (água e sal, a essência da vida), um dos primeiros a divulgar o sal do Himalaia, em 2003, também traz uma lista de compostos.

Se essa lista for mesmo verdade (não dá para ter certeza porque não são análises independentes), o sal rosa tem sim mais minerais do que o branco, mas não o suficiente para trazer os benefícios divulgados pelos fabricantes, diz o médico nutrólogo Celso Cukier.

“A concentração é baixa. Para fazer diferença nutricionalmente precisaríamos ingerir muito sal e comeríamos muito sódio”, afirma.

FAÇA AS CONTAS

Para citar um exemplo, um grama de sal rosa tem 4 mg de cálcio (segundo as tabelas divulgadas pelos fabricantes). Por dia, um adulto deve ingerir 1.000 mg de cálcio, de acordo com a Anvisa. Isso é o equivalente a 250 gramas de sal do Himalaia.

É claro que ninguém vai comer tudo isso –nem poderia porque seria sódio demais. Cada grama de sal (rosa ou refinado, tanto faz) tem mais ou menos 380 mg de sódio. Segundo a OMS, adultos devem consumir menos de 2 gramas de sódio por dia (cerca de 5 g de sal).

Ou seja: como devemos comer pouco, e a concentração de minerais no produto é baixa, não faz diferença trocar um pelo outro. Pelo contrário: se consumidos em excesso, tanto o sal rosa quanto o branco aumentam o risco de hipertensão e doença cardiovascular.

A nutricionista Erika Almeida Mesquita, que recomenda o sal rosa, defende que além de ter minerais, o produto é mais puro do que o comum.

“O processo de refino adiciona solventes, alvejantes e antiumectantes. O sal do Himalaia é livre dessas toxinas”, afirma.

Apesar de recomendar, ela reconhece que é preciso ingerir com moderação. “O teor de sódio é muito semelhante.”