Café com óleo de coco é usado para acelerar o metabolismo, mas pode causar taquicardia

Por Juliana Vines

Aceita uma xícara de café com gordura? Manteiga ou óleo de coco? Uma blogueira fitness diria que sim. Os mais de 3 milhões de seguidores da Gabriela Pugliesi certamente já a viram misturar um pouco de óleo de coco, pimenta-caiena e canela no seu cafezinho diário.

A bebida é uma adaptação do “bulletproof coffee”, ou “café à prova de balas”, que serviria para acelerar o metabolismo e dar gás antes de praticar exercícios.

A moda surgiu na gringa: o empreendedor do Vale do Silício Dave Asprey teve a ideia de misturar café com gordura enquanto estava no Tibete e conheceu uma bebida típica à base de chá e manteiga. Quando provou a própria invenção, se sentiu energizado.

A receita era simples: uma xícara grande de café (250 ml) batido com uma colher de sopa de manteiga e uma colher de sopa de óleo de coco.

A descoberta se transformou no seu principal negócio. Em 2014, Asprey publicou o livro “The Bulletproof Diet”, sem edição no Brasil, contando esse e outros truques que o ajudaram a perder 45 kg.

Hoje, a empresa já tem até lojas que vendem o café amanteigado nos Estados Unidos.

Por aqui, a invenção foi adaptada: perdeu a manteiga e ganhou os temperos.

“A cafeína tem propriedades termogênicas, aumenta o metabolismo e é usada inclusive em medicamentos. A pimenta também. O óleo de coco tem gordura saturada e um tipo de triglicérides de cadeia média que produz energia rápida e dá saciedade”, explica a endocrinologista Maria Fernanda Barca, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Para ela, apesar de a mistura ter fundamento, não deve ser consumida.

“É um modismo, não tem estudos comprovando a segurança. Não sabemos quanto colesterol tem no óleo de coco. E o pior: juntar todos esses termogênicos pode dar taquicardia, principalmente se a pessoa tem tendência a ter arritmia cardíaca”, afirma.

A nutricionista Renata Bressan, da Abeso (associação de estudo da obesidade), também não recomenda a ingestão do termogênico.

“O efeito é real, mas devemos lembrar que óleo de coco é rico em calorias. Não adianta aumentar o metabolismo se a pessoa vai ingerir mais energia”, diz.

Segundo ela, se considerarmos a receita de Asprey, um cafezinho com manteiga e óleo de coco teria 270 kcal. A receita brasileira, com uma ou duas colheres óleo de coco, teria de 120 a 240 kcal.

“Para quem tem tendência para ganho de peso ou quer emagrecer, 120 a 240 kcal fazem diferença”, afirma.

A gordura saturada também pode aumentar o colesterol LDL (o “ruim”) e contribuir com o aumento da gordura abdominal, que eleva o risco de doenças cardiovasculares, segundo a nutricionista Luiza Ferracini, do Dietbox.

“Não indico. Esse tipo de receita é comum em dietas paleolíticas e cetogênicas, que utilizam a gordura como substrato para obtenção de energia. Mas o ideal é sempre consumir um carboidrato antes de treinar, para não desviar a rota metabólica original do corpo humano de obtenção de energia”, afirma.